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PÁGINA TÉCNICA · ENSAIO DE ARRANCAMENTO

Ensaio de arrancamento: o que as normas pedem e o que sai no relatório

Página técnica. Se você é engenheiro de construtora, perito ou avalia laudo de terceiro, é aqui que ficam os critérios pelos quais um ensaio de ancoragem se sustenta ou não.

ESCRITO PELA EQUIPE TÉCNICA DA REPAGINAR · EM CAMPO DESDE 2014 · 35.000+ PONTOS INSTALADOS

As duas normas que regem o ensaio

Quando se fala de ancoragem, quase todo mundo cita a NBR 16325 — que trata do dispositivo — e para aí. Mas o dispositivo é metade da questão. A outra metade é a fixação dele na estrutura, e ela tem normas próprias.

Juntas com a NBR 16325, essas duas normas descrevem o serviço completo: a peça, a fixação e a verificação. É o conjunto que um laudo bem feito consegue enfrentar.

Ensaio em laboratório e ensaio em campo não são a mesma coisa

Essa é a distinção que mais gera confusão em avaliação de laudo, e é onde a NBR 14827 é explícita: ela trata separadamente do ensaio em laboratório e do ensaio no campo, destinado à verificação da instalação correta ou à aplicação de cargas de verificação em chumbadores instalados fora do laboratório.

São finalidades diferentes. O ensaio de laboratório qualifica um produto: quantas amostras, em que concreto, com que dispersão estatística. O ensaio de campo verifica aquela instalação, naquela laje, feita naquele dia. Um não substitui o outro, e cobrar de um laudo de campo os requisitos do ensaio de qualificação é confundir as duas coisas.

Para os dois casos, a norma trata de exatidão do equipamento e de calibração. É por isso que a validade do certificado do equipamento não é detalhe burocrático — é um critério do método.

Os cinco modos de falha

Quando um ponto falha no ensaio, a informação útil não é apenas a carga: é como ele falhou. A NBR 14827 descreve os modos, e cada um aponta para uma causa diferente:

Falha em cone

O concreto rompe formando um cone com altura igual ao embutimento efetivo. Indica que o chumbador transferiu carga, mas o substrato não sustentou — normalmente embutimento insuficiente, concreto fraco ou distância à borda pequena.

Falha com fissura radial

O concreto rompe com fissuras partindo do ponto, e o chumbador é extraído. Costuma aparecer em peça de pequena espessura ou com pontos muito próximos entre si.

Escorregamento

O chumbador sai sem que o concreto rompa. É o modo típico de falha de fixação, não de estrutura.

Falha de aderência

Deslocamento contínuo com carga constante ou até decrescente. Esse é o modo específico dos chumbadores químicos, e é o que aparece quando o furo não foi limpo: a resina não aderiu à parede do furo. Não há inspeção visual que revele isso numa peça instalada — só o ensaio.

Falha do chumbador

Deformação plástica ou ruptura do próprio componente metálico. Aqui o substrato e a fixação resistiram; o elo mais fraco foi o aço.

Por que isso importa num laudo

Laudo que registra apenas "aprovado" perde a informação mais valiosa do ensaio. Registrar o modo de falha, quando ocorre, é o que permite corrigir a causa em vez de repetir o erro no ponto seguinte.

Espaçamento e distância de borda

Duas medidas que explicam por que ponto perto da beirada não vale o mesmo que ponto no meio da laje. A NBR 14827 estabelece espaçamentos mínimos em função do embutimento efetivo do chumbador, e os valores diferem conforme o tipo: para chumbadores de adesão química os limites são menores que para os demais, tanto no espaçamento entre chumbadores quanto na distância até a borda, sob carga de tração.

Na prática de campo isso significa que a posição do ponto é decisão técnica, não de conveniência de quem está com a furadeira na mão. Ponto empurrado para a borda porque o revestimento novo estava no caminho é ponto com capacidade reduzida, mesmo com o dispositivo correto.

Como a carga é aplicada

Puxar até parecer que aguenta não é ensaio. A NBR 14827 define o procedimento, e três pontos dele aparecem em qualquer ensaio bem conduzido:

O que precisa constar do relatório

As duas normas trazem lista de itens de relatório, e ela é longa. Os que mais faltam nos laudos que analisamos de terceiros:

A linha que mais separa laudo útil de laudo decorativo é a das cargas individuais. Média não prova nada sobre nenhum ponto específico — e é justamente um ponto específico que vai segurar a pessoa.

Como conduzimos o ensaio

Tração de prova aplicada ponto a ponto, com valor lido registrado individualmente, identificação prévia de cada ponto e registro fotográfico. O equipamento são dois dinamômetros hidráulicos, de 6.000 e de 3.000 kgf, ambos com certificado de calibração vigente — calibrados em junho de 2026, válidos até junho de 2027, contra padrão digital de 1 kgf de sensibilidade, conforme ISO 7500-1:2023. Os certificados acompanham o dossiê da obra, com número de série do equipamento e a tabela de erros ponto por ponto da faixa.

Fazemos isso tanto nos sistemas que instalamos quanto em sistemas instalados por terceiros, desde que os dispositivos sejam normatizados — ensaio não torna conforme um ponto improvisado.

Três perguntas para avaliar um laudo de terceiro

Perguntas frequentes

Qual norma rege o ensaio de arrancamento de chumbadores?
A ABNT NBR 14827 trata da determinação de resistência à tração e ao cisalhamento de chumbadores instalados em concreto ou alvenaria. Para chumbadores de adesão química, a ABNT NBR 15049 trata da determinação de desempenho.
Ensaio em campo e ensaio em laboratório são a mesma coisa?
Não. A NBR 14827 os trata separadamente. O ensaio de laboratório qualifica um produto; o ensaio de campo verifica aquela instalação específica, com requisitos próprios de exatidão e calibração do equipamento.
O que é falha de aderência num chumbador químico?
É o deslocamento contínuo com carga constante ou decrescente. É o modo típico de furo mal limpo, em que a resina não aderiu à parede do furo. Não é detectável por inspeção visual depois da instalação.
Por que ponto próximo à borda da laje tem capacidade menor?
Porque a norma estabelece distância mínima à borda em função do embutimento efetivo do chumbador. Abaixo desse limite, a capacidade cai mesmo com o dispositivo correto.
O que não pode faltar num relatório de ensaio de ancoragem?
Cargas últimas individuais por ponto, identificação do dispositivo, embutimento, método e taxa de carga, modo de falha quando houver, certificado de calibração do equipamento e assinatura do responsável técnico.
TRILHA PARA CONSTRUTORA E ENGENHARIA · PASSO 2 DE 3
  1. NR-18 e ancoragem em obra
  2. Ensaio de arrancamento
  3. NBR 16325
DA OUTRA TRILHA · PARA SÍNDICOS Meu prédio precisa de ancoragem? A mesma matéria na linguagem do síndico, útil quando o laudo precisa ser explicado em assembleia.

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Fazemos em sistema próprio e em sistema instalado por terceiros, com dinamômetro de calibração vigente e carga registrada ponto a ponto.

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