O que essa norma normaliza
A ABNT NBR 16325 trata de dispositivos de ancoragem: classificação, requisitos e ensaios. Ela é a referência que separa uma peça fabricada para segurar uma pessoa de uma peça metálica parecida com isso.
Enquanto a NR-35 fala do trabalho em altura e das obrigações de quem contrata, a NBR 16325 fala do objeto: o que ele precisa suportar, como se prova que suporta, e o que precisa estar escrito nele.
Ela tem duas partes, e vale saber qual é qual porque cada uma cobre um produto diferente:
- ABNT NBR 16325-1 — dispositivos de ancoragem tipos A, B, D e E. É a parte do ponto de ancoragem fixo. O tipo A se divide em A1 e A2, e é essa a parte que se aplica aos pontos da sua cobertura.
- ABNT NBR 16325-2 — dispositivos de ancoragem tipo C, a linha de vida horizontal flexível. É a parte da linha de vida, e é outra norma, não um anexo da primeira.
O que a norma não cobre — e por que isso importa
A NBR 16325 normaliza o dispositivo, não a ancoragem estrutural em que ele se fixa. A barra roscada embutida com resina química na laje é ancoragem estrutural, e fica fora do escopo da norma do dispositivo.
Daí a consequência prática que atravessa toda esta página: a conformidade do dispositivo e a resistência da fixação são duas coisas provadas por dois caminhos diferentes. Uma pela marcação, outra pelo ensaio.
Aprenda a ler a peça na sua cobertura
Suba na cobertura e olhe de perto um dos pontos. O dispositivo conforme traz sete informações gravadas em relevo, e a NR-18 lista cada uma delas no item 18.12.12.3. Elas não estão todas na mesma face: uma parte fica na frente, outra no verso, e o número de série no corpo da peça. Abaixo, toque em qualquer número para girar a peça até a face certa.
Toque em qualquer item para girar a peça até a face certa e localizar a gravação. São sete marcações distribuídas em três faces — por isso ninguém confere tudo com um olhar de passagem: é preciso soltar o ponto da mão e girar. Faltando qualquer uma delas, a peça não atende ao item 18.12.12.3 da NR-18.
Desenho de referência do dispositivo que instalamos, nas três faces em que as gravações realmente aparecem: na frente, o CNPJ ao longo da argola, o número máximo de usuários nas duas pontas dela, o pictograma acima da razão social na base; no verso, a norma com a classe, a carga e o material; no perfil, o número de série gravado no corpo.
Se não há nada gravado, não é dispositivo de ancoragem. É uma peça qualquer parecida com uma, e não existe ensaio capaz de torná-la conforme. O caminho nesse caso é substituição, não teste.
Classe A1: o que significa na prática
Pela definição da parte 1 da norma, A1 é o dispositivo de ancoragem projetado para ser fixado a uma estrutura, por ancoragem estrutural ou por elemento de fixação. É o caso do olhal que rosqueia sobre a barra chumbada na laje.
E há uma frase na própria norma que resolve a discussão mais comum do mercado: os requisitos do dispositivo tipo A1 são específicos para suportar a carga dinâmica de apenas uma pessoa. Não é interpretação de fornecedor — é o critério com que a peça foi ensaiada.
Daí decorre a consequência que mais gera confusão no orçamento: dois trabalhadores não se resolvem com dois pontos individuais lado a lado. Quando há mais de uma pessoa, ou deslocamento contínuo sem desconexão, o sistema passa a ser linha de vida — que é classe C, da NBR 16325-2: cabo de aço tensionado entre postes, dimensionado pelo número de usuários simultâneos, com esticadores e absorvedor de energia. Duas normas, dois produtos, dois cálculos.
A marcação não substitui o ensaio
Aqui está a distinção que quase ninguém explica ao cliente.
A marcação de 1.500 kgf diz respeito ao dispositivo — a peça, tal como saiu da fábrica. Ela não diz nada sobre a fixação daquela peça na sua laje.
Um dispositivo perfeito, instalado em furo mal limpo, com resina que não aderiu à parede do furo, tem a mesma inscrição gravada e não tem a mesma resistência. E, instalado, ele é visualmente idêntico ao ponto bem executado.
Por isso o conjunto correto tem duas provas independentes: a marcação, que atesta a peça, e o ensaio de arrancamento com carga registrada ponto a ponto, que atesta a instalação. Uma sem a outra não fecha.
Detalhes construtivos que valem conhecer
No dispositivo que usamos, o olhal central é o ponto de conexão: recebe o mosquetão do trabalhador no uso individual e o cabo de aço quando o ponto integra uma linha de vida. É o mesmo corpo servindo às duas configurações, o que reduz a variedade de peças na cobertura e simplifica a inspeção futura.
A fixação se dá por barra roscada em aço inoxidável, embutida com chumbador químico epóxi bi-componente, ou por sistema bi-transpassado quando o substrato exige. O dispositivo rosqueia sobre a barra pelo bujão central, deixando o olhal livre.
Para ver a peça girando, com as gravações e o corte da instalação, veja o modelo 3D do ponto de ancoragem.
Perguntas frequentes
- O que é a ABNT NBR 16325?
- É a norma brasileira de dispositivos de ancoragem: classificação, requisitos e ensaios. Tem duas partes: a parte 1 trata dos dispositivos tipos A, B, D e E, incluindo o ponto de ancoragem fixo classe A1; a parte 2 trata do tipo C, a linha de vida horizontal flexível. A norma cobre o dispositivo, não a ancoragem estrutural em que ele é fixado.
- Como saber se o ponto da minha cobertura é conforme?
- Procure a inscrição gravada em relevo no metal. O dispositivo conforme traz a referência à norma, a classe, a carga e o material. Sem marcação gravada, não é dispositivo de ancoragem.
- O que significa classe A1?
- É o dispositivo de ancoragem projetado para ser fixado a uma estrutura, por ancoragem estrutural ou por elemento de fixação, conforme a ABNT NBR 16325-1. Os requisitos do tipo A1 são específicos para a carga dinâmica de apenas uma pessoa: um ponto, uma corda, um trabalhador. Para mais de um trabalhador ou deslocamento contínuo, o sistema passa a ser linha de vida, classe C, da ABNT NBR 16325-2.
- A marcação de 1.500 kgf garante que o ponto instalado aguenta essa carga?
- Não. A marcação atesta a peça de fábrica, não a fixação dela na sua laje. Só o ensaio de arrancamento com carga registrada ponto a ponto atesta a instalação.
- O mesmo ponto serve para uso individual e para linha de vida?
- Sim, pelo olhal central: ele recebe o mosquetão do trabalhador na configuração individual e o cabo de aço quando o ponto integra uma linha de vida. São duas configurações do mesmo corpo, nunca as duas ao mesmo tempo no mesmo ponto.
Como saber onde o seu prédio está
Se já existem pontos, o ensaio diz o que eles aguentam. Se não existem, o pré-cálculo dá a ordem de grandeza antes de qualquer visita.
Testar os pontos que já existem Fazer o pré-cálculo